Agricultora de Concórdia leva projeto de saúde mental para Harvard
A agricultora Thais Neres Krindges, de 30 anos, de Concórdia, no Oeste de Santa Catarina, viaja aos Estados Unidos neste mês para atuar como embaixadora na Universidade de Harvard. Ela foi selecionada para participar da Brazil Conference em reconhecimento ao seu projeto focado na saúde mental no campo, iniciativa que já prestou apoio psicológico e preventivo a cerca de mil trabalhadores rurais catarinenses em 2025.Anúncios patrocinados
ATENÇÃO! QUER FICAR POR DENTRO DAS PRINCIPAIS NOTÍCIAS DE CONCÓRDIA E REGIÃO EM TEMPO REAL?A criação do programa “Cultivando Bem-Estar no Meio Rural” surgiu da própria vivência de Thais. Produtora de leite e alimentos, ela enfrentou depressão e os primeiros estágios de burnout. A agricultora percebeu que o esgotamento era um reflexo das condições do agronegócio familiar: isolamento geográfico, subordinação às variações climáticas, oscilação financeira e dificuldade de acesso a serviços de saúde.
Ao dialogar com outros produtores, Thais notou que o sofrimento psicológico era um problema crônico e silencioso na região. Para enfrentar a questão de forma estruturada, ela passou a organizar encontros nas comunidades.
Somente no último ano, o projeto realizou 21 ações em seis municípios catarinenses. Os eventos unem palestras com especialistas em saúde mental a rodas de conversa, com o objetivo de combater o preconceito em um ambiente culturalmente conservador, onde o trabalho exaustivo costuma ser visto como a única solução para os problemas.
O impacto da iniciativa é medido pela resposta da comunidade. Em um dos encontros, uma mulher de 80 anos relatou à idealizadora que, se o projeto tivesse chegado antes à região, poderia ter evitado a morte de sua filha, vítima de depressão. Para Thais, relatos como esse confirmam que levar informação ao interior salva vidas.
A urgência do debate é endossada por especialistas. Profissionais da Associação Catarinense de Psiquiatria (ACP) apontam que os produtores enfrentam desafios únicos que favorecem o adoecimento mental, como o alto estresse econômico ligado ao mercado e ao clima, além do isolamento social.
Ao promover o senso de comunidade e facilitar o acesso a informações preventivas, o projeto catarinense atua diretamente na redução dessas vulnerabilidades. Para as próximas etapas, a iniciativa planeja abordar também o peso emocional envolvido na sucessão familiar das propriedades.