Infectologista do HSF reforça orientações sobre hantavírus
O hantavírus voltou a chamar a atenção no Brasil após a confirmação da primeira morte pela doença em 2026 e, principalmente, pelo caso de transmissão entre humanos registrado em um cruzeiro que saiu da Argentina. O assunto foi tema de entrevista na manhã desta sexta-feira, dia 15, no programa Microfone Aberto, da Massa FM, com a médica infectologista do Hospital São Francisco de Concórdia, Clarissa Guedes.
ATENÇÃO! QUER FICAR POR DENTRO DAS PRINCIPAIS NOTÍCIAS DE CONCÓRDIA E REGIÃO EM TEMPO REAL?Além da repercussão nacional, Santa Catarina confirmou recentemente o primeiro caso da doença neste ano, registrado no município de Seara, no Alto Uruguai Catarinense.
Durante a entrevista, a médica explicou que o hantavírus é conhecido há décadas e é considerado uma zoonose, ou seja, uma doença transmitida de animais para humanos. Segundo Clarissa, a principal forma de contágio ocorre através do contato com saliva, urina e fezes de ratos silvestres infectados.
Ela ressaltou que o vírus não é transmitido pelos ratos urbanos encontrados normalmente nas cidades, mas sim por roedores silvestres presentes principalmente em áreas rurais e regiões de mata.
A infectologista destacou que, apesar de ser uma doença considerada incomum, o hantavírus apresenta alta taxa de mortalidade. Conforme os dados apresentados durante a entrevista, o Brasil já registrou cerca de 2,4 mil casos desde o início do monitoramento, nos anos 1990, com aproximadamente 960 mortes confirmadas.
A médica explicou ainda que a variante encontrada no Brasil costuma provocar uma síndrome cardiopulmonar grave, levando rapidamente à insuficiência respiratória. Em muitos casos, o paciente necessita de internação em unidade de terapia intensiva.
Entre os principais sintomas estão febre, dor no corpo, dor de cabeça, náusea, vômito e mal-estar, sinais que podem ser confundidos inicialmente com uma gripe ou outra virose comum. Por isso, Clarissa reforçou a importância de procurar atendimento médico rapidamente, especialmente em casos de pessoas que vivem ou trabalham em áreas rurais.
Sobre a transmissão entre humanos, que gerou preocupação após o caso envolvendo um navio vindo da Argentina, a infectologista explicou que a situação envolve uma cepa específica chamada “cepa andina”, encontrada em países como Argentina e Chile. Segundo ela, essa variante é diferente da circulante no Brasil.
Conforme Clarissa, no território brasileiro a transmissão ocorre praticamente apenas do rato silvestre para o ser humano, sem evidências de transmissão comunitária entre pessoas.
A especialista também chamou atenção para os cuidados preventivos, principalmente em propriedades rurais, silos, depósitos e locais onde possa haver presença de roedores silvestres. A orientação é manter alimentos bem armazenados, evitar acúmulo de sujeira e realizar limpezas utilizando pano úmido e água sanitária, evitando levantar poeira contaminada.
Outro alerta foi direcionado a pessoas que realizam trilhas ou frequentam áreas de mata, já que o vírus pode permanecer no solo contaminado e ser inalado quando partículas de poeira são levantadas.