Queda no PIB reflete na economia catarinense, mas situação é melhor em SC

por: Aliança News

As duas quedas seguidas do PIB, que caracterizam uma recessão técnica, repercutiram nas federações que representam a Indústria, a Agricultura e o setor de Serviços em Santa Catarina. Os prognósticos não são positivos, mas aparentam um cenário melhor para o Estado em comparação com os resultados do país. 

De forma geral, a desaceleração pode ser sentida nos dados de criação de empregos em Santa Catarina. De janeiro a julho do ano passado, o Estado registrava um crescimento de 3,5% no número de vagas. No mesmo período neste ano, esse número caiu para 3%. Segue em crescimento, mas em ritmo menor. 

O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (FAESC), José Zeferino Pedrozo, explica que o setor ainda vive um bom momento, apesar da queda nacional do PIB. A agricultura está há três anos com boas vendas em volume e preço devido a uma quebra de safra nos Estados Unidos, causada por uma seca. 

Na pecuária catarinense, o setor também desfruta de bons resultados com o início das vendas da carne suína de Santa Catarina para o Japão, fruto que o Estado colhe, tardiamente, por ter conseguido o status em 2007 de livre de febre aftosa sem vacinação. 

— Mas a gente tem avisado nosso pessoal. É a velha história das vacas gordas e das vacas magras. Vai chegar a hora em que nós vamos sofrer também. 

A indústria catarinense sente a desaceleração, em especial, na queda da produção industrial. De janeiro a junho, houve uma retração de 1,7%. Mas o número é melhor do que o registrado no cenário nacional: queda de 2,6% para o mesmo período. 

Juros e queda de empregos reduziram poder de compra 

O ritmo vinha sendo puxado desde 2013 pelas obras da Copa do Mundo, com destaque especial no setor metalmecânico. Na geração de empregos, no primeiro semestre do ano passado ocorreu um aumento de 5%. 

Houve uma desaceleração, mas Santa Catarina segue liderando na criação e vagas na indústria, com crescimento de 3,7% nos primeiros seis meses deste ano. 

— As expectativas ainda não são positivas. Mas a gente acredita que o pior momento passou. Só que a retomada dos investimentos depende de uma maior confiança — explica a economista Graciella Martignago, consultora da Federação da Indústrias de Santa Catarina. 

O setor de comércio e serviços vinha crescendo a uma média anual próxima do aumento de 2012, 8% no ano. Nos últimos 12 meses, cresceu 3% em Santa Catarina. O alerta é dado pelo assessor econômico da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fecomércio), Maurício Mulinari. 

— A gente já vinha sentindo essa desaceleração — disse o economista. 

Ele atribui a queda no setor a dois fatores. O primeiro é a renda, a queda de empregos na indústria, que cortou vagas, e o aumento dos juros reduziram o poder de compra dos brasileiros. 

O segundo fator é o aumento dos juros, que deixou mais caro parcelar as compras para pagar em um prazo maior. Com isso, o consumo de bens reduziu, em especial os de maior valor agregado. As compras estão concentradas agora em alimentos e serviços. 

— Em Santa Catarina o cenário não é tão ruim quanto o nacional, mas já há os indícios, que é o que importa — explicou Mulinari.

 

Fonte: Diário Catarinense

Por: Thiago Santaella