Antigas
Abílio Diniz na BRF
A assembleia de acionistas que vai escolher o próximo conselho de administração da BRF, dona das marcas Sadia e Perdigão, acontece hoje. O empresário Abilio Diniz, já apresentado como candidato a presidente, vem trabalhando nos bastidores para contornar resistências a seu nome e nas últimas semanas esteve com acionistas e executivos da companhia. Como a aceitação do nome de Abilio não foi unânime num primeiro momento, o resultado da assembleia ainda é cercado de suspense. Arquitetada pelo fundo de investimentos Tarpon e pelo fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil (Previ), a ideia do empresário na presidência do conselho não foi bem recebida pelo fundo de pensão dos funcionários da Petrobras (Petros), hoje o maior acionista da BRF.
Mas, segundo pessoas envolvidas no processo, a aposta é que o empresário sairá eleito da assembleia marcada para acontecer em Itajaí (SC). Tanto que já foi organizada uma coletiva de imprensa para o dia seguinte, com a participação de José Antonio Fay, presidente da BRF, e o próprio Abilio. Além de concorrer à presidência do conselho, o empresário investiu mais de R$ 1 bilhão em ações da companhia e hoje detém cerca de 2,7% do capital da empresa.
Num movimento para aparar arestas, Abilio esteve com o presidente da Petros, Luís Carlos Fernandes Afonso. Segundo a agência Estado apurou, Afonso disse que a Petros não tinha nada contra a presença de Abilio no conselho, mas não havia ficado à vontade com a indicação de seu nome para presidente. Um dos motivos seria um possível conflito de interesses, já que Abilio ainda é presidente do conselho do Grupo Pão de Açúcar, um dos maiores parceiros comerciais da BRF.
A Petros chegou a procurar outros acionistas da BRF em busca de apoio para se opor ao nome de Abilio para o comando do conselho na assembleia, mas não havia conseguido até sexta-feira. "A tendência é que, ao contrário de se opor, o fundo se abstenha de votar. Mas isso só será decidido na hora da assembleia", diz uma fonte ligada ao fundo. O encontro entre o empresário e o presidente da Petros, porém, terminou em clima amistoso. Abilio se encontrou também com Nildemar Secches, atual presidente do conselho de administração da BRF, que vai deixar o cargo. O executivo, que esteve à frente da Perdigão por quase duas décadas e promoveu grande crescimento e a fusão com a Sadia, já havia comunicado à Previ sua intenção de sair, mas ficou aborrecido porque só soube da articulação em torno do nome de Abilio pelos jornais.
Por fim, Abilio esteve ainda com Fay e os vice-presidentes da BRF. Como o empresário ainda não tem nenhuma ligação oficial com a empresa, a reunião foi na sede da Tarpon, na Avenida Faria Lima, em São Paulo. Na conversa, Abilio se apresentou, conheceu os executivos e conversou informalmente sobre os negócios da BRF. Pessoas que falaram com o empresário dizem ter ouvido dele que o plano é não promover trocas no comando da companhia. Ele tem dito, também, que seu envolvimento na gestão da empresa deverá ser bem menor do que no Pão de Açúcar. O principal desafio da BRF agora é ampliar seu processo de internacionalização. Líder em vários produtos no mercado nacional de alimentos, a empresa tem limitações para crescer no Brasil em razão das leis de defesa da concorrência, que travam o crescimento, por meio de aquisições, de companhias que são muito maiores que os concorrentes.
Executivos da empresa já avaliaram aquisições no exterior, mas esses processos não foram adiante. Um deles foi a compra da mexicana Sigma que, avaliada em US$ 2,5 bilhões, foi considerada muito cara. Há alvos potenciais também na Turquia, África do Sul e Chile. Quando o nome de Abilio começou a ser cogitado para o lugar de Nildemar, o discurso da Tarpon e da Previ era de que o novo líder aumentaria a agressividade da BRF e a transformaria numa "Ambev dos alimentos". Em outras palavras, sob uma nova gestão, a empresa turbinaria suas margens e mergulharia num processo acelerado de aquisição de empresas no exterior. Mas interlocutores de Abilio notaram que a conversa do empresário tem sido diferente.
Ele fala que a comparação com a Ambev não é cabível, porque o processo de criação e industrialização de frango é muito mais complexo que a fabricação de cerveja, o ramo da Ambev. A grande expectativa, entre os advogados de Abilio, diz respeito à reação do Casino, sócio do empresário no Pão de Açúcar. Em guerra desde meados de 2011, eles abriram mais uma frente de conflito este ano, quando as tentativas de negociação para a saída de Abilio do grupo fracassaram. O Casino já declarou que não aceitará a presença do empresário (que tem cargo vitalício em seu conselho), ao mesmo tempo, na presidência dos conselhos da BRF e do Pão de Açúcar.
Enquete
Clima
Tempo em Concórdia-SC
Umidade:
Vento:
Antigas