Antigas
Audiência sobre alagamento
Ministério Público reúne moradores de Arvoredo
Na tarde de sexta-feira, 11 de julho, foi o momento dos atingidos pela enxurrada do dia 27 de junho em Arvoredo, contarem das incertezas, dúvidas e angústias sentidas e pela insegurança que ainda vivem. O Promotor Público da Comarca de Seara, Michel Eduardo Stechinski, convidou toda a população de Arvoredo, atingida, direta e indiretamente pelo alagamento e transtornos ocorridos em função do vazamento da barragem de Ponte Serrada, no dia 27 de junho, para uma Audiência Pública.
No primeiro momento o Major Parizotto, do Corpo de Bombeiros Militares de Xanxerê, para qual o município de Arvoredo pertence e que orientou e coordenou a evacuação de parte da cidade durante o ocorrido, explicou quais foram os critérios utilizados para tomar as decisões e os cálculos do nível da água que invadiria a cidade e em quanto tempo.
Segundo o Major, os cálculos mais aproximados começaram a ser feitos a partir do final da tarde quando a água da barragem passou pela PCH de São Luis que pertence a Celulose Irani e lá o volume de água subiu 1,5 metros. "Baseado nisso, supomos que quando chegaria em Arvoredo, a água subiria na mesma proporção, já que o rio estava bem acima do nível normal, ainda trabalhamos com uma margem de segurança de três metros, com GPS fizemos a localização de até onde a água chegaria", diz.
O Major confessou que nunca haviam trabalhado com uma situação parecida como esta, foi a primeira experiência e "como sempre trabalhamos prevendo o pior, com cenário de catástrofe e nosso único objetivo foi preservar as vidas, por isso evacuamos parte da cidade".
Na segunda parte da reunião, o Promotor abriu espaço para as pessoas inscritas e cerca de 15 atingidos puderam expor seus dilemas desde aquele dia, como ficaram sabendo do rompimento da barragem e os procedimentos tomados a partir de então. A emoção foi um ponto comum entre os atingidos, que relataram os passos seguidos, principalmente quando tiveram que retirar as famílias de casa e os produtos do comércio, "a incerteza, angústia e insegurança continuam até hoje", diz a empresária Salete Giachim.
Muitas pessoas enfermas tiveram que ser removidas de casa, idosos e doentes precisaram sair sem saber se poderiam voltar, o que causou pânico e desespero além dos prejuízos econômicos com produtos estragados e que foram danificados com o transporte.
Um dos proprietários da barragem de Ponte Serrada que rompeu no dia 27, da família Vacaro, esteve na reunião e declarou que ficou sabendo dos transtornos ocorridos apenas no final da tarde quando o alarme havia sido dado e as providencias já haviam sido tomadas, "se eu tivesse tempo, teria avisado que o reservatório não era grande, apenas para uso da propriedade e não tinha todo o volume de água divulgado, também não fui procurado para saber mais informações. Estou aqui dando a minha cara a tapa, mas precisava explicar o que realmente aconteceu", disse.
Ao final da reunião, ficou agendada uma nova Audiência Pública, desta vez com a presença dos responsáveis pelas PCHs instaladas no município que fizeram o monitoramento do volume da água que chegou nas barragens e amenizavam a situação afirmando que não haveria alagamentos. Estão confirmadas ainda presença dos Bombeiros e da Defesa Civil do estado que esteve presente todo o momento em Arvoredo, durante o período de incerteza até que a situação estivesse sob controle. Na oportunidade o Promotor Público Michel Eduardo Stechinski estará presente, a comunidade envolvida e um mediador para organizar o debate que promete ser quente. A data previamente agendada é para 6 de agosto.
A comunidade demonstrou preocupação com a possibilidade de construção de mais uma PCH no município, mas o Promotor alertou que a partir de agora, é necessário um Estudo Integrado da Bacia Hidrográfica e aprovação da obra.
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