Barragem foi assunto principal na sessão do Legislativo
Como não poderia ser diferente, devido o ocorrido no último domingo, os alagamentos nas proximidades da barragem de contenção, no Parque de Exposições, e a eminência de outros alagamentos na cidade estiveram entre os principais assuntos da sessão da Câmara de Vereadores, na segunda-feira, 15. Os vereadores foram unânimes em admitir que a barragem de contenção cumpriu com seu objetivo e evitou problemas na área central da cidade, mas a ala oposicionista apontou várias falhas no projeto e até sugeriu para que a administração busque na Justiça um ressarcimento, pois contratou uma equipe para o estudo técnico e elaboração do projeto.
Edilson Massocco (PMDB) foi o primeiro a tratar do assunto e solicitou informações sobre o licenciamento ambiental da segunda etapa, elevação de dois metros de altura, da barragem de contenção, executada recentemente pela administração municipal. “A elevação criou um buraco de um dos lados da barragem. Não quero acreditar que a Fatma aceitou isso”, comentou o vereador oposicionista. Massocco ressaltou que a barragem foi excelente para a situação, mas questiona irregularidades nos projetos e não entende porque a administração municipal não admite as falhas, que não são suas. “Não entendo porque não assumem. A afirmação é sempre que está tudo dentro da normalidade”, ponderou.
O peemedebista citou a sobra de recurso, em torno de R$ 500 mil, na obra da execução da barragem. “O valor que foi utilizado nas trilhas ecológicas do Parque poderia ter sido mais bem empreendido na própria barragem, que mais tarde precisou ser elevada, gerando custos ao município”, justificou. Massocco também citou a elevação da rua Victor Sopelsa, que apesar de ter sido executada e ter tido custos, não adiantou, pois o alagamento ocorreu da mesma forma. “A família que foi atingida, já residia no local há mais de 20 anos e se o imóvel está ou não regularizado não importa, os proprietários precisam ser ressarcidos. O secretário de Urbanismo, em entrevista a imprensa, disse que sabia do risco, no entanto, a residência estava lá”, afirmou Massocco, ressaltando que nenhuma obra pública pode causar prejuízos à população.
Preocupação
Rogério Pacheco (PSDB) também falou da importância da barragem e suas falhas, que precisam ser corrigidas. “Temos que fazer um debate consciente e coerente. Este é o caminho para buscar alternativas para o problema”, destacou. Artêmio Ortigara (PMDB) fez questão de listas vários problemas (como no Centro Cultural, Terminal Urbano, CMEI do Imigrantes, Escola do Vista Alegre, na elevação da ponte na rua João Suzin Marini, que apresenta uma viga que acaba retendo a água do rio, entre outros) em projetos de obras já concluídas e em execução pelo Executivo. Disse que está preocupado e que a análise da equipe técnica precisa ser mais criteriosa e ter maior atenção e cuidado. Dirceu Biondo (PMDB) afirmou que sem a barragem de contenção, com certeza o cenário da cidade seria outro. “Mas a população também precisa colaborar, evitando desmatamento em áreas de declive. Sei que ninguém quer perder, mas deste jeito estamos construindo nossa própria desgraça”.
Preparada
Vilmar Comassetto (PCdoB) afirmou que mesmo o município tendo um Plano de Contenção de Cheias, existe eventos climáticos que extrapolam a percepção humana. “Podemos trabalhar para diminuir os riscos, mas não conseguiremos eliminá-lo”, declarou, se referindo a grande precipitação de chuvas, que chegou a atingir 220 milímetros no município em 24 horas. O vereador apresentou 10 passos a serem seguidos para tornar o município uma “cidade resiliente”, no caso, mais resistente e preparada para catástrofes climáticas. Uma importante ação é a preparação da população para o enfrentamento e a ampliação de investimentos em sistemas de alertas, que já existem em Concórdia, mas podem ser melhorados, se tornando mais eficientes.
Teste
O líder do governo na Câmara, Evandro Pegoraro (PT), afirmou que as chuvas do fim de semana foram um grande teste, o maior deles, depois da última intervenção que elevou a barragem de contenção de nove metros para onze metros de altura. “Agora, depois do teste, serão feitos os ajustes necessários, além de seguirmos na execução de outras pequenas ações do Plano de Contenção de Cheias”, adiantou Pegoraro, ressaltando que a última intervenção na barragem ocorreu na hora certa. O vereador também esclareceu que o transbordamento da barragem foi correto. “A barragem no formato gabião, como é a nossa, é projetada prevendo o transbordamento, por isso, ela foi feita um pouco mais baixa na parte central”, informou. Quanto à família atingida, o petista afirmou que todos os encaminhamentos já foram dados. “Dentro das ações legais, o governo está fazendo todos os esforços para atendê-los”, concluiu.
Fonte: Ascom Câmra de Vereadores de Concórdia