Basquete ajuda estudante a superar câncer
“Tainara é uma guerreira”. A frase dita pela técnica de basquete do Senai, de Concórdia, Thuany Pinto, que comanda a equipe na etapa estadual dos Jogos Escolares de Santa Catarina (Jesc) 15 a 17 anos, em Blumenau, sintetiza o que é a estudante Tainara Trenti Zanella, 16 anos. A concordense, ala do time, mesmo na reserva, estava ali na quadra do Galegão como uma sobrevivente de um câncer denominado de “teratoma de ovário”, um tumor benigno que se desenvolve no sistema reprodutor feminino: o ovário. Tainara viu do banco de reservas sua escola perder, nesta terça-feira (26), de 30 a 25 para o Colégio La Salle Peperi, de São Miguel do Oeste.
Apesar de triste pela derrota (a primeira em três partidas), Tainara tinha um sorriso no rosto por fazer aquilo que mais gosta: vivenciar em quadra uma partida de basquete. Mais feliz estava por saber que o basquete foi um canal importante para superar o câncer, diagnosticado em 2013.
Retirada de sisto de mais de 2 quilos
Integrante do time de basquete de Concórdia em várias edições dos Jesc 12 a 14 anos, Tainara viu sua trajetória em quadra ser interrompida quando sentiu um inchaço na barriga. “Jogava com a barriga inchada e pensava que estava gordinha. Quando as dores se tornaram mais intensas, procurei um médico e então foi diagnosticado o câncer”, relembra a jogadora.
Pouco depois da primeira consulta, a atleta passou por uma cirurgia. Os médicos retiraram um sisto de dois quilos e meio do ovário esquerdo. A cirurgia foi um sucesso, mas, dias depois o inchaço na barriga voltou. Veio uma nova operação. Desta vez para tirar um sisto de meio quilo entre o útero e o intestino. A biópsia revelou que uma parte do sisto era maligna, a outra não.
Os médicos decidiram então realizar na atleta uma quimioterapia preventiva, segundo ela, para o câncer não voltar. “Começei a fazer a quimioterapia em março deste ano no Hospital Universitário Santa Maria, em Joaçaba, (distante 70 quilômetros de Concórdia). Ficava uma semana no hospital tomando medicamentos com sessões de quatro horas diárias. Depois voltava para casa, em Concórdia, e ficava uma semana. Nas duas semanas seguintes, a cada terça-feira, voltava ao hospital em Joaçaba e tomavas as injeções”, lembra.
Por conta do tratamento, o cabelo caiu. “Fiquei em depressão, amava o meu cabelo e tive que fazer tratamento psicológico”, diz, enfatizando que era bastante vaidosa por ter cabelos longos. "Quando eu soube da doença, nem pensei em morte. Só pensei no meu cabelo, mas isso já foi superado e convivo com isso numa boa”, garante a estudante. Ela revela também que três semanas após a quimioterapia, os médicos autorizaram que Tainara voltasse a praticar aos poucos o basquete, o que tem feito ultimamente.
No último exame, realizado há um mês e meio, veio o resultado que Tainara tanto queria ouvir: estava curada, mas revelou também que ela necessitaria de mais uma cirurgia para retirar uma massa de 11 centímetros localizada entre o fígado e um músculo abaixo das costelas. Esta nova operação ainda não tem data para ser realizada, mas, Tainara está feliz.
Nesta terça-feira, a guerreira Tainara não entrou em quadra, segundo sua treinadora Thuany porque o jogo estava bastante disputado e o tratamento a deixou com um condicionamento físico limitado, mas no primeiro jogo da equipe, realizado na segunda-feira (25), ela entrou no finalzinho, tempo suficiente para converter uma cesta de dois pontos e ajudar o seu time a vencer por 48 a 37 a Escola Barão do Rio Branco, de Blumenau.
Tainara lembra que começou a jogar basquete aos 11 anos de idade, na quadra da Escola Estadual Deodoro, em Concórdia, onde estudava na época, a convite da amiga de sala Morgana Lopes, hoje, ala do time do Senai. Foi aos primeiros treinamentos e gostou.
Diz que nunca teve um título de expressão e a maior conquista até hoje foi um terceiro lugar na etapa estadual do Jesc 12 a 14 anos, em Gaspar, em 2011. Mas, isso é o que menos importa, pois na vida Tainara é uma campeã de superação. “Como atleta ela é muito guerreira, é uma das atletas mais dedicadas do time. Mesmo com a doença ela não quis largar o time, quis viajar e vivenciar isso aqui”, finaliza a técnica Thuany Pinto. (Texto: Antônio Prato/Fesporte)