Com acordo na Câmara hospital voltará a atender
Desde o último domingo, dia 3 de maio, o Hospital São Francisco de Concórdia não realiza atendimentos eletivos de média e alta complexidade, via Sistema Único de Saúde (SUS), para os municípios do Alto Uruguai Catarinense. O motivo é uma dívida de mais de R$ 2 milhões, referente repasses de internações excedentes, dentre outros atendimentos, que não foram pagos pelo governo do Estado. Na sessão da Câmara de Vereadores, na noite de quarta-feira, que recebeu algumas lideranças envolvidas, o diretor geral do HSF, Edio Rosset, concordou em retomar os atendimentos, pelo menos até a próxima terça-feira, 12, quando ocorre uma reunião para acerto de contas com o secretário de Estado da Saúde, João Paulo Kleinubing, em Florianópolis.
O presidente da Comissão de Saúde, Esporte e Turismo da Câmara de Vereadores, Rogério Pacheco (PSDB), que juntamente com os demais membros da comissão propôs o debate em torno do assunto, para que se buscasse uma solução, comemorou o encaminhamento. “Temos que destacar a importância do poder Legislativo para a sociedade. Hoje conseguimos mais uma vez contribuir, pois do debate proposto, para esclarecimento de dúvidas, surgiu o consenso e o acordo para o hospital retomar os atendimentos”, destacou Pacheco.
Edio Rosset não precisou números de quantas pessoas deixaram de ser atendidas, mas garantiu que muitas pessoas da região ficaram sem atendimento nos últimos três dias. “Não queremos parar de atender, mas precisamos receber. Nosso objetivo foi atingido”, afirmou o diretor, se referindo ao encontro já agendado para a próxima semana, na Secretária de Estado da Saúde. O secretário de Desenvolvimento Regional, Fábio Ferri, que também participou do debate na Câmara, destacou que a reunião foi uma conquista da união de esforços. “Estive pessoalmente conversando com o secretário Kleinubing na última semana, e juntando-se aos pedidos de vários prefeitos da região, o esforço resultou no agendamento do encontro de contas”, comentou o secretário, ressaltando que a reunião deverá acabar com boas notícias para o hospital.
Dificuldades
Também convidado a esclarecer dúvidas na Câmara de Vereadores, o secretário Municipal de Saúde, Alessandro Vernize, expôs os números e as dificuldades, ressaltando que não se trata apenas um problema enfrentado pelo hospital de Concórdia, mas sim, de inúmeras instituições hospitalares por todo o Brasil. Vernize apresentou tabela que demonstra que alguns municípios da região acabam excedendo, quase que mensalmente o seu limite de Autorização de Internação Hospitalar, as AIHs. Também falou que o valor estabelecido para cada AIH, R$ 947,00, acaba sendo insuficiente para algumas internações, que além de serem mais longas, utilizam atendimentos diferenciados e mais caros, como nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), por exemplo.
O secretário Vernize deixou claro que o município tem bancado os excedentes dos pacientes de Concórdia, mas a dívida se acumula devido os atendimentos feitos aos pacientes da região. O município é apenas repassador dos recursos do Estado, mas trabalha com gestão plena, que permite atendimento a todos. O presidente da CIS/Amauc, Kleber Nora, também foi convidadopara o debate, mas impossibilitado de participar foi representado pelo secretário da Amauc, Roberto Kurtz Pereira, que reafirmou não se tratar de dívidas dos municípios, que são responsáveis pela atenção básica. Roberto destacou a mobilização de todos os prefeitos da região para que o problema seja solucionado e o atendimento retomado.
Dúvidas
O vereador Gilberto Romani (PT) afirmou que com o debate conseguiu esclarecer algumas dúvidas quanto aos números, mas que ainda não entende algumas atitudes relacionadas ao atendimento, por parte do hospital e de alguns profissionais. O petista falou de um possível “pacote” (valores em dinheiro) negociado para que cirurgias fossem antecipadas. “Tenho conhecimento de vários casos em que o paciente, na agonia de resolver seu problema o quanto antes, conversa com o médico e perante a negociação do pacote, tem a cirurgia marcada”, comentou Romani, ressaltando que isso quer dizer que não é falta de vaga, mas sim, de dinheiro.
Fonte: Ascom Câmara de Vereadores