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Concórdia no ranking dos acidentes nas agroindústrias

Data 06/12/2013 às 08:21
Chapecó é o líder
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O município de Concórdia está entre os três primeiros com maior número de afastamentos de trabalhadores na agroindústrias. 

Na distribuição de afastamentos previdenciários nos frigoríficos, Chapecó lidera com 22,8%, seguido dos municípios de Capinzal (9,8%), Concórdia (6,8%) e Forquilhinha (6,2%). Este percentual tem crescido gradativamente a cada ano, visto que no período de 2005 a 2011 foram concedidos em todo o Estado, mais de 19 mil benefícios previdenciários, o que representa 39% dos trabalhadores do setor.

Em termos reais, isto significa que o setor frigorífico afasta 2,7 mil trabalhadores ao ano, em média 169,8 pessoas por dia.  Destes benefícios, em média 124 são concedidos por invalidez, com idade média de 37 anos. O procurador do Trabalho, Alexandre Ramos, revela ainda que Santa Catarina tem o pior índice de afastamentos por número de trabalhadores do País. Enquanto o Estado ocupa a sexta posição no ranking global, sobe para a primeira posição no ranking relativo à população.

Pesquisa

Os dados foram apresentados em uma pesquisa da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e Universidade do Vale do Itajaí (Univali). A pesquisa levou três anos para ficar pronta e analisou dados de benefícios previdenciários entre 2005 e 2011 disponíveis na plataforma de informações da Previdência Social.

Ao todo foram entrevistados 452,129 trabalhadores, o que representa 28% da população empregada no Estado e avaliadas as 15 atividades econômicas que mais empregam em Santa Catarina.

Considerando o auxílio-doença comum e o auxílio-doença acidentário, a pesquisa apontou que 38% de todas as ocorrências são provenientes de 10 patologias: dorsalgia (9,73%), depressão (6,13%), fratura ao nível de punho e mão (4,26%), lesões de ombro (3,74%), fratura de perna (2,80%), varizes dos membros superiores (2,78%), hemorragia no início de gravidez (2,57%), sinovite e tenossinovite (2,37%), transtorno depressivo recorrente (2,49%) e fratura do pé (2,04%).

A vice-campeã de afastamentos é a indústria têxtil, que emprega 93 mil trabalhadores. Durante o período de seis anos, 34 mil trabalhadores pediram afastamento por problema de saúde, o que representa 37% do total. Em seguida, vêm os supermercados, que empregam 59 mil pessoas e registraram 18 mil afastamentos.

Prevenção

De acordo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Carnes e Derivados de Chapecó e Região (Sitracarnes), Jenir Ponciano de Paula, os números são maiores ainda. "Desde 2010 nós sabemos destes índices e trabalhamos para diminuir eles, mas nem sempre conseguimos", disse.

Conforme ele, o Sitracarnes atua junto de um médico do trabalho nas agroindústrias para discutir a saúde do trabalhador com as empresas. "Nós nos preocupamos com esses dados, por isso fazemos vários seminários justamente para prevenir esse adoecimento. Realizamos esse debate junto às empresas e apresentamos esses dados, o que nós lutamos é para reduzir o ritmo de trabalho, que ainda é um dos principais fatores do adoecimento", comenta.

Mesmo assim, o número de trabalhadores afastados neste setor cresceu no município e hoje é o líder no ranking dos municípios, que representa mais de 22% dos benefícios previdenciários do Estado. "Esses dados são os que efetivamente ou estão afastados por invalidez, ou por tempo de serviço, fora os trabalhadores que adoecem e não são afastados. Essa parcela é bem maior do que os próprios registrados", explica. Em um levantamento realizado pelo Sitracarnes apontou que em torno de 12 mil trabalhadores trabalham neste setor somente em Chapecó.
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