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Dirigentes são suspeitos de facilitar transferências em Piratuba

Data 05/07/2016 às 19:47
Líderes partidários são investigados por ceder endereços falsos a eleitores.
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Em Santa Catarina, dirigentes de partidos políticos são suspeitos de disponibilizar endereços falsos de residências para que eleitores transfiram títulos às vésperas da eleição, como mostrou a reportagem do RBS Notícias desta terça-feira (3). Esta é a segunda reportagem de uma série especial  sobre suspeita de fraudes nas transferências eleitorais em Santa Catarina.

A reportagem flagrou em Piratuba, no Oeste catarinense, locais onde eleitores declaravam que residiam, que constavam em declarações recentes de transferência do título eleitoral, mas que não eram habitadas por eles. Tem exemplo até de morador do Rio Grande do Sul que tem endereço eleitoral em cidade de Santa Catarina.

Dirigentes de partidos aparecem citados em pedidos de transferência, tão suspeitos que chegaram a ser barrados pela Justiça Eleitoral. O Ministério Público já investiga alguns dos casos.

Piratuba tem pouco mais de 4 mil habitantes, e recebeu 430 transferências para as eleições deste ano.

Prédio em construção, quitenetes fantasmas, apartamento sem porta
A reportagem mostrou que em uma das transferências, o eleitor declarou morar na rua Uruguai, Edificio GR2, no Centro, mas o local está em construção.  Em outra, cinco transferências foram feitas para o endereço de um residencial de quitinetes, mas apenas três delas eram ocupadas, e não pelos respectivos eleitores.

O prédio ainda em construção e o imóvel de quitinetes pertencem a Gustavo Radel, que é tesoureiro do PSD em Piratuba. Ele informou à reportagem da RBS TV que as pessoas moravam nos locais declarados e que assinou os documentos a pedido delas na época.

Em outro caso, a Justiça Eleitoral chegou a entrar em contato com uma eleitora que recém transferiu o título para a cidade, mas que não soube dizer onde morava. Ela também estaria em um imóvel de Radel.

"A vizinha de apartamento disse que o local estava vago há seis meses. O apartamento não tem as portas e está em fase de reforma. E a gente em conversa com a eleitora, a pessoa não sabe onde que ela mora, sendo que ela mora na rua principal da cidade em cima de um banco", disse a chefe do cartório eleitoral de Piratuba, Graciela Ramos.

Dirigente político nega conhecer eleitoras inquilinas, mas muda de ideia
De acordo com a reportagem, Jairo Schimdt, que é presidente do PSD em Piratuba, assinou duas declarações comprovando que duas eleitoras moravam em quartos no Centro da cidade. O próprio declarante chegou a negar que conhecia as eleitoras durante uma checagem da Justiça Eleitoral. Entretanto, quando soube que as declarações estavam em investigação, mudou a informação.

Schimdt disse que as conhecia, mas não lembrava o nome completo das pessoas, e que elas já tinham ido embora da cidade. Outro eleitor, que também teve um domicílio eleitoral assinado pelo presidente do partido, conversou com a reportagem em Ipira, cidade vizinha de Piratuba.

O senhor afirma que mora "toda a vida quase" em Ipira. Sobre a motivação da mudança do domicílio eleitoral, ele conta:  "Foi para eleger um cara lá que é meu amigo. O candidato a prefeito. Ele pedia pra mim: 'podia transferir o título pra Piratuba'?", disse. 

Jairo Schimdt não quis comentar as suspeitas de fraude à reportagem da RBS TV.

Fonte: G1/SC

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