Antigas
Discursos acalorados
Orçamento Participativo gera bate boca no Legislativo Municipal de Concórdia
Em véspera do início das reuniões do Orçamento Participativo de 2014, o assunto tomou conta da primeira sessão de abril na Câmara de Vereadores. Foram discursos fortes e acalorados, que iniciaram no pequeno expediente e se estenderam também durante o grande expediente, que é a última parte da sessão.
De um lado a situação defendendo a ferramenta democrática como uma conquista da população e de outro, o questionamento da oposição quanto o valor destinado ao programa, que vem diminuindo, em termos percentuais em relação a receita, nos últimos anos. O debate foi iniciado com Edilson Massocco (PMDB), que apresentou números, informados pela própria administração, que demonstram a redução na aplicação dos recursos.
O vereador peemedebista disse estar decepcionado com as mudanças apresentadas pela administração para o OP deste ano. Chegou a pedir a revogação da lei que instituiu o programa, já que os números comprovam o enfraquecimento da ferramenta, que segundo ele caminha para o fim. "Não funciona. Não passa de um cabo de enxada quebrada", indagou. Segundo os dados apresentados por Massocco, o OP recebeu 3,8% da receita em 2008, baixou para 3,6% em 2009, 3,45% em 2010, 3,28% em 2011, não teve nada em 2013 e agora em 2014, quando o município terá uma receita de R$ 202 milhões, o investimento no programa será de R$ 4,6 milhões, o que representa 2,2%.
Evandro Pegoraro (PT) partiu em defesa do OP e em tom calmo afirmou que o momento de retorno das reuniões é importante, pois o programa é um modelo de gestão que deu voz e vez a população. "É uma conquista. São mais de 2,5 mil obras e ações em 12 anos", destacou, ressaltando que em 2014 serão asfaltada 110 ruas, sendo 40 do OP de 2011 e 2012 e outras 80 que não foram consolidadas pelo programa por terem menor número de moradores, não sendo quantidade suficiente para a aprovação.
Politicagem
Fábio Ferri (PMDB) foi a tribuna para se associar a posição do colega de bancada. Disse que se precisasse faria o mesmo se fosse preciso pedir desculpa à população pelas colocações. Afirmou que não são contrários ao programa, mas que não entende porque os reais números e percentuais não são apresentados. Falou também em obras atrasadas e não executadas e que vizinhos acabam brigando por asfalto. "Não concordo que houve mudanças. A reeleição de delegados é politicagem. O povo quer obra. Democracia é bom, quando é executada".
Incômodo
Gilberto Romani (PT) seguiu a discussão questionando o motivo de tanto incômodo da oposição quanto ao OP. "Nós que entendemos o programa aprovamos o OP. Quero estar em no mínimo 50% das reuniões", adiantou. Vilmar Comassetto (PCdoB) levou mais números do OP à tribuna e reafirmou que a realização do programa é uma conquista e que ele vai continuar porque assim a população decidiu. "O programa está no plano de governo da administração e ele vai até o fim, sendo executado e aprimorado. Foram investidos R$ 28 milhões em 12 anos e se juntarmos os investimentos com recursos próprios o índice sobe bastante", declarou.
Inconformados
Ferri retornou para dizer que a oposição não pretende acabar com a criação petista. "Pensamos mais nas pessoas, que em ruas. Aqui parece a cidade da Alice no país das maravilhas, em que tudo está perfeito. Se estivermos errados vamos ser humildes para pedir desculpas. Não tenho medo do povo, tenho cheiro do povo, sei de onde vim", concluiu.
Massocco também voltou para dizer que quando a administração divulga suas obras não informa que tem a participação da população. "Fica fácil fazer obra com o dinheiro do povo. Vão financiar o asfaltamento de 80 ruas em um total de R$ 8,5 milhões, que serão pagos em 20 anos. Mas dois terços do valor investido serão pago pelos moradores em 36 meses, capitalizando R$ 5 milhões", comentou Massocco, que na sessão desta segunda-feira, solicitou mais um mês de licença para recuperar completamente a saúde.
Politicagem
O líder do governo na Câmara, Arlan Guliani (PT), disse respeitar o posicionamento da oposição e que a administração faz questão de suas participações nas reuniões do OP. "A população confia e acredita no trabalho realizado por meio do OP, que é extremamente importante. Com acertos e erros o programa será desenvolvido", destacou. O petista fez questão de afirmar que o que mais lhe desagrada é o uso da palavra politicagem nos discursos. "Em breve vamos mostrar que houve sim, politicagem na conduta de algumas pessoas", adiantou.
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