É preciso dividir os problemas, mas não me venham com hipocrisias
Não há dúvidas que choveu muito em Concórdia e Região. Mas, não dá para ficar quase duas décadas culpando a chuva pelos alagamentos e enchentes na Capital do Trabalho.
O tema é recorrente, já motivou amplos debates na Câmara e nos espaços políticos. Em dado momento, até marcha fúnebre foi tocada em programas eleitorais em alusão ao tema. Quis o destino que em 14 de Julho, terça-feira, mesmo com uma série de investimentos, incluindo a Barragem de Contenção no Parque de Exposições, Concórdia enfrentasse a maior enchente de sua história.
Na condição de Coordenador de Jornalismo da Rádio Aliança participei de umas das coberturas jornalísticas mais angustiantes de minha carreira. Trabalhar para informar a população, ao longo de mais de quatro horas, sendo jornalista imparcial e não procurando o sensacionalismo e, ao mesmo tempo, observando a água invadir o prédio da emissora, não foi tarefa fácil.
Os momentos de tensão vivenciados na companhia dos colegas de emissora, me oferecem a necessidade de falar sobre o tema, de forma pontual e contundente.
Contundente no sentido de dizer, que o momento se apresenta de forma muito solidária as famílias e empresas que mais uma vez sofreram as perdas com a enchente. Mas, é preciso ter a coragem de dizer que algo mais precisa ser feito. A intensidade das chuvas, não pode ser utilizada para esconder os defeitos e erros cometidos ao longo do tempo.
O vereador Rogerio Pacheco (PSDB) chamou atenção, na tribuna da Câmara para o fato de que a administração de Concórdia, não ouviu profissionais e técnicos que ao longo do tempo alertavam para o fato de que a Barragem de Contenção, não teria a capacidade de conter o volume das águas. Pacheco citou o nome do falecido engenheiro, Nésio Tumeleiro que várias vezes ofereceu pareceres sobre o tema, e segundo o vereador, não foi ouvido.
Como no ditado popular, o tempo é o senhor da razão. Pois, Concórdia teve no dia, 14 de julho, uma nova lição sobre um velho problema, mais um exemplo de que todos que passaram pela prefeitura de Concórdia tiveram seus erros e acertos. Excluído-se o discurso político/partidário todos têm culpa no cartório, não sendo pois, necessário marcha fúnebre, mas sim coragem efetiva para cada um assumir responsabilidades e colocar a mão na massa no sentido de resolver de uma vez por todas este grave problema. O povo cansou de pagar a conta, está cansado de certas hipocrisias e cobra uma solução urgente.