O Concórdia resolve colocar os bois na frente da carroça
O assunto já é um pouco velho, mas mesmo assim vale o comentário! Há dias que eu recebi através de e-mail o esboço de planejamento que a direção do Concórdia Atlético Clube fez para os próximos anos. O documento mostra uma meta clara e fixa do que o Galo do Oeste tem e quer até 2018. O objetivo é chegar na primeira divisão estruturado e em condições de fazer frente aos grandes clubes de Santa Catarina. Vi o planejamento e gostei!
Os cardeais do Galo do Oeste querem a partir de agora começar a plantar aquilo que até então estavam querendo colher. Até 2018, o clube pretende ter uma categoria de base consolidada e com jogadores vinculados ao clube; mais um centro próprio de treinamento, cujo terreno já estaria a disposição com campo, alojamento e academia. Enfim, uma estrutura inédita para o futebol profissional em Concórdia.
Mas para alcançar esses objetivos, os cardeais do CAC já estão botando a mão na massa. Arregimentar jogadores da região para a formação das categorias de base já está sendo colocado em prática. O objetivo é ter atletas que se identifiquem com o clube e com a cidade e assim possam dar o resultado esperado dentro de campo. Sem falar que, com jogadores próprios, o CAC conseguirá sempre manter uma base para time em cada temporada e assim economizar em contratação de um elenco quase que completo, como vinha acontecendo. Sem falar na possibilidade de receita que o Concórdia vai ter com a venda desses atletas. Algo fundamental e que já é praxe em outros clubes. Mas não por aqui.
A direção do Galo do Oeste também está pensando grande. Tanto é que já ensaia uma participação na Copa São Paulo de Futebol Júnior de 2017. Essa competição é a mais importante do Brasil, no que se refere a categorias de base. Certamente não terá time para ser campeão, mas pode ter um bom respaldo financeiro com atletas que venham a chamar a atenção dos olheiros de clubes maiores, que frequentam as arquibancadas na copinha.
Outro ponto positivo é o estreitamento de relações com outros clube maiores, como a Chapecoense, Juventude e Atlético-PR. Claro que toda relação é uma via de mão dupla e interesses das duas partes tem que ser atendidos. Mas até aqui, salvo engano meu, eu não vi nenhum atleta formado pelo Concórdia Atlético Clube sair daqui e já figurar numa grande equipe, assim de cara. Até o momento, o Concórdia Atlético Clube não tem ninguém com esse trânsito para principalmente repassar jogadores a outros times. Agora esse canal está sendo construído, tanto é que o Atlético vai ter um centro de formação na Capital do Trabalho, vinculado ao Canarinho Esporte Clube, que é parceiro do Concórdia.
Por fim, um dos pontos que eu considero mais importantes nesse planejamento é que a obsessão pelo acesso à série A do Campeonato Catarinense foi extinta. Até aqui, montava-se time com jogadores de nível acima da série B - muitos não correspondiam - gastava-se demais e o resultado final não vinha. Isso vinha acontecendo ano após ano depois de 2011, quando o CAC esteve entre os grandes de SC. Agora a prioridade não é subir, é se estruturar e criar condições ideais para ter esse objetivo lá na frente, quem sabe em 2018. Para isso, o clube já anunciou que vai utilizar atletas da base já neste ano para a disputa da série B.
Isso tudo vai fazer com que, além de torcer para o time, seja necessário também torcer para o planejamento vingar, para que lá na frente o futebol profissional de Concórdia volte a ser vigoroso como outrora. O Concórdia passa a tirar a carroça da frente dos bois e colocar as coisas em sua devida ordem.