Pai é suspeito
O delegado de Xanxerê, Luiz Carlos Dadam, esteve na tarde de segunda-feira (14) em Concórdia, onde tomou o depoimento de Ledair Paula Moraes, mãe das duas crianças de cinco e nove anos, que morreram carbonizadas no dia quatro de janeiro, quando a casa onde a família morava, no Bairro Santos Dias, incendiou.
- Nós ouvimos a dona Ledair e uma filha dela. A filha pouco sabe, pois não morava com a família, mas ela tinha umas informações que para nós foram importantes. A dona Ledair, o que ela nos diz é que não tem condições de afirmar ou de atribuir com provas que esse incêndio tenha sido provocado pelo companheiro. Ela também não suspeita que isso tenha acontecido de forma dolosa, mas uma coisa é certa, segundo ela a estrutura da energia elétrica era boa, a instalação do gás estava em boas condições, ela tinha sempre o hábito do fechamento da válvula - conta o delegado.
Outro ponto que pode ser importante para as investigações, conforme Dadam, é a confirmação por parte da mulher de que ela estava decidida a se separar de Gilmar Moraes. A mulher deixaria a casa no sábado, cinco de janeiro, mas o incêndio ocorreu na sexta (4).
- Ela realmente tinha se decidido sobre sair da casa no sábado pela manhã. Iria sair com os filhos e o neto - informa.
Quanto a possibilidade de uma das crianças ter provocado o fogo de forma acidental, o delegado diz que a mãe não acredita na suposição. Ela teria afirmado em depoimento que realmente o neto é hiperativo, mas que não havia na casa instrumentos que pudesse provocar fogo, como isqueiros e fósforos, já que a família possuía um fogão com acendimento elétrico.
A polícia aguarda agora o laudo do Instituto de Criminalística de Xanxerê, vinculado ao Instituto Geral de Perícias (IGP), que fez a perícia no local. O laudo deve apontar se o incêndio foi criminoso ou acidental.
Pai é investigado
O TSX indagou o responsável pelo inquérito sobre hipótese levantada em alguns comentários de internautas na notícia sobre o incêndio. Algumas pessoas suspeitavam que o pai, Gilmar Moraes, teria priorizado tirar o veículo da garagem ao invés de salvar as crianças.
Relembre a notícia:
Fogo consome casa e mata duas crianças de cinco e nove anos no Bairro Santos Dias. Para a Polícia, essa hipótese, por enquanto, não é verdadeira.
- Essa informação ao nosso ver não é verdadeira. A informação que eu tenho, por enquanto, é de que o veículo foi retirado por vizinhos. Mas isso é uma informação, não há comprovação ainda. Obviamente que se ele tiver se preocupado mais com o carro que com os filhos, isso tem uma implicância e uma responsabilidade inclusive criminal, num homicídio culposo (sem intenção de matar) - comenta o delegado.
A intenção do delegado é ouvir nos próximos dias outras testemunhas do incêndio, como vizinhos, que também podem comprovar essa versão sobre a retirada do carro da garagem. Além disso, a polícia também avalia outros precedentes de investigação.
- Por atos praticados pelo senhor Gilmar com relação a violência doméstica, sob atos no passado recente, cerca de quatro meses atrás, justamente envolve o derramamento de combustível - gasolina - na casa para a provocação de incêndio, obviamente que a pessoa do Gilmar é uma pessoa que a gente investiga. Mas em razão disso, porém não podemos atribuir a ele a responsabilidade do que houve e pela morte das crianças. Ainda não é possível afirmar isso. O inquérito tem essa função: comprovar se o incêndio foi acidental ou criminoso. Se foi criminoso provar quem o fez e por qual motivo - finaliza Dadam.
Gilmar já foi ouvido pelo delegado responsável pelas investigações. A equipe de reportagem do TSX entrou em contato com o pai, que deve se pronunciar sobre o caso nas próximas horas.