Projetista da Barragem afirma que houve um extravasamento lateral (vídeo)
A Administração municipal de Concórdia realizou na tarde de hoje, 23 de junho, uma coletiva de imprensa com a presença dos engenheiros responsáveis pelo projeto da Barragem, representantes da empresa que forneceu o material da estrutura e equipe técnica de engenharia civil da prefeitura.
Na oportunidade, o engenheiro civil André Labanowski, da MPB Engenharia, empresa licitada que elaborou o projeto da Barragem de contenção, esclareceu que houve uma erosão do solo na lateral da barragem e que por isso a água extravasou pelo local. Mas segundo ele isso não é nada de anormal e não danificou em nada a estrutura de gabiões. “A barragem não é 100% segura, ela é 110% segura”, afirmou. A solução agora será vedar o espaço aberto com concreto, obra que deve demorar menos de um mês para ser concluída.
Labanowski também frisou que o volume de água precipitado em 24 horas, de 153 mm, foi o maior em 60 anos. “Em 1965 choveu 150mm”, relatou. Segundo ele, com o volume de água acumulado na barragem a vazão chegou a 21 m³/s, sendo que ela aguenta 129 m³/s e que mesmo assim a força do empuxe da água ainda seria menor que o peso da estrutura. Porém o engenheiro alerta que se chegasse a isso ocorreria uma enchente, pois o canal do Rio na Rua João Suzin Marine aguenta apenas uma vazão de 60 m³/s.
Aproveitando a deixa o secretário de Urbanismo e Obras, Mauri Maran, reiterou que a barragem sozinha não é garantia de contenção de cheias no centro do município. “Se um dia encher a barragem e alagar a cidade, vai ser normal”, afirmou. Ainda segundo Maran, somente com todas as etapas do Plano de Contenção de Cheias, que ainda prevê a construção de mais cinco pequenas barragens e do canal extravasor, além de medidas não estruturais, será possível afirmar que não haverá mais enchentes em Concórdia.
Como fica a casa que foi alagada
Mauri Maran aproveitou a oportunidade para esclarecer sobre a residência que foi alagada em função do volume de água retido pela barragem. De acordo com o secretário já constava no projeto que a área onde se encontra a residência estava a baixo da cota de inundação, porém não foi possível indenizar o morador, pois o local é um Loteamento clandestino, onde o dono das terras loteou e vendeu os lotes através de contrato, as pessoas construíram em cima, mas ninguém tem posse da terra. “No caso teríamos que indenizar o dono do terreno e não o morador. Nem na prefeitura temos aquela casa registrada, então oficialmente é como se ela não existisse e como que nós vamos pagar uma coisa que não existe”, completa.
A prefeitura está negociando com o morador para ver se consegue regularizar o terreno e aí então tomar as medidas cabíveis.