Protestos bloqueiam trânsito para caminhões em rodovias do Oeste catarinense
Chega a dez o número de pontos em que a passagem de caminhões está interrompida nas rodovias catarinenses na manhã desta segunda-feira, em função de manifestações de caminhoeiros e agricultores. As informações foram repassadas pelas polícias Rodoviária Federal (PRF) e Militar Rodoviária (PMRv).
Na maioria dos trechos, manifestantes permitem apenas a passagem de carros de passeio, ônibus, cargas perecíveis e veículos oficiais. Na manhã desta segunda-feira, um novo ponto de interrupção foi registrado pela PRF em Guaraciaba, próximo ao trevo de Anchieta. Por volta das 17h deste domingo, a passagem foi liberada no km 54 da BR-116, em Papanduva. Já em Mafra o km 7 da BR-116 foi liberado por volta das 19h.
Veja todos os pontos de bloqueio que seguem até às 05h30min desta segunda-feira:
- Km 101 da BR-163 em São José do Cedro (somente carga viva autorizada a passar)
- Km 645,6 da BR-282 em São Miguel do Oeste (permitida passagem de cargas perecíveis e ração)
- Km 605 na BR-282 em Maravilha
- Km 109 da BR-158 em Cunha Porã (interdição total, é preciso desviar por dentro da cidade)
- Km 571,3 da BR-282 em Nova Erechim
- Km 504,4 da BR-282 em Xanxerê
- Km 339,6 da BR-470 e km 317,1 da BR-282 em Campos Novos (somente automóveis passam)
- km 64 da BR-153 em Irani
- km 87 da BR-163 em Guaraciaba
O bloqueio em Xanxerê (Km 505 da BR-282) foi liberado por volta das 9h deste domingo e retomado cerca de uma hora depois. Apenas veículos leves passam pelo local. O bloqueio do trevo de Belmonte e da BR-158 em Palmitos, realizados no sábado, estão liberados neste domingo.
Centenas de caminhões estão parados
Em São Miguel do Oeste – o local com mais caminhões parados, no trevo da BR-282 com a SC-163 –, os manifestantes também bloqueavam cargas de leite e ração, afirmando que só liberariam quando os agricultores se incorporassem ao movimento. A passagem para o transporte destes itens foi liberada por volta das 13h30min deste sábado.
A paralisação dos caminhoneiros começou na quarta ganhou força na sexta-feira. Motoristas protestam contra o aumento dos combustíveis e más condições das estradas, entre vários outros itens.
Eles entregaram um pauta de reivindicações ao deputado estadual Mauro de Nadal, que esteve no local e ficou encarregado de fazer uma ponte entre os manifestantes e autoridades dos governos estadual e federal. O deputado também publicou um vídeo na internet defendendo o movimento.
O movimento é independente, liderado por caminhoneiros autônomos da região. O presidente do Sindicato das Empresas de Transportes e Transportadores do Oeste e Meio-Oeste Catarinense (Setcom), Paulo Simione, afirma que a organização não tem envolvimento com o protesto, mas apoia as reinvidicações.
No final da tarde a Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de Santa Catarina (Fetaesc) anunciou o apoio ao motoristas. Já o presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar da Região Sul (Fetraf-Sul), afirmou que a entidade não foi convidada oficialmente. Ele destacou que cada categoria deve buscar defender suas reivindicações.
Municípios têm desabastecimento
A paralisação já começa a causar transtornos na região. Em São Miguel do Oeste já começa a faltar combustível em alguns postos, segundo informações do portal da Rede Peperi.
O presidente da Aurora Alimentos, Mário Lanznaster, disse estar preocupado com a possibilidade do movimento seguir na próxima semana. A Aurora tem um frigorífico em São Miguel do Oeste, onde abate 1.850 suínos por dia, e outro em Maravilha, onde abate 136 mil aves por dia.
Ele afirmou já há um aumento de custos, pois os produtos que passavam pela BR 282 estão tendo que encontrar rotas alternativas por rodovias estaduais, por Anchieta, Campo Erê e Modelo.