Audiência da BR-153 frustra lideranças e Setcom promete recorrer à Justiça contra projeto de concessão
A audiência pública promovida pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), realizada na tarde de terça-feira (7), em Concórdia, para discutir o projeto de concessão da BR-153, terminou com forte insatisfação entre lideranças políticas, empresariais e representantes da comunidade.
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Durante entrevista concedida à Massa FM nesta quarta-feira (8), o presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Carga e Logística (Setcom), Paulo Simioni, classificou o encontro como "decepcionante", afirmando que a proposta apresentada pelo Governo Federal praticamente já está definida e contempla poucos investimentos considerados essenciais para a região.
Segundo Simioni, a audiência foi marcada pela grande participação da comunidade, mas, na avaliação dele, os técnicos da ANTT demonstraram pouca abertura para acolher as reivindicações apresentadas. Ele afirmou que os representantes da agência ouviram os pedidos da população, porém mantiveram uma postura distante e pouco receptiva durante toda a reunião.
O presidente do Setcom destacou que a principal preocupação é a cobrança de pedágio sem a execução das obras consideradas prioritárias para garantir segurança aos usuários da rodovia. Entre as reivindicações estão a implantação de vias marginais em trechos urbanos, melhorias em acessos e intervenções que reduzam o número de acidentes na BR-153.
Diante do cenário apresentado pela ANTT, o dirigente afirmou que a entidade continuará mobilizada para tentar alterar o projeto antes da publicação do edital definitivo. Ele disse que o Setcom buscará apoio de parlamentares, prefeitos, associações empresariais e demais lideranças políticas para pressionar por mudanças na proposta.
Caso as reivindicações não sejam atendidas, Simioni revelou que o sindicato pretende ingressar com uma ação judicial para suspender o processo de concessão. Conforme explicou, a entidade entende que o projeto apresenta irregularidades, principalmente pela ausência de obras estruturantes em trechos urbanos da BR-153, situação que, na avaliação do Setcom, contraria exigências previstas para esse tipo de concessão.
Outro ponto criticado foi a futura localização da praça de pedágio. Embora o local ainda não tenha sido oficialmente definido, Simioni defende que ela fique fora do perímetro urbano de Concórdia para evitar impactos aos moradores e trabalhadores que utilizam a rodovia diversas vezes ao dia.
Durante a entrevista, o presidente também afirmou que, se o projeto for mantido sem alterações e a cobrança de pedágio começar antes da realização das melhorias reivindicadas, pretende participar de manifestações públicas contra a concessão.
A previsão apresentada pela ANTT é de que o processo de consultas públicas continue nos próximos meses. Após essa etapa, o projeto deverá ser ajustado antes do lançamento do edital de concessão da rodovia.